• Agência Towanda

É permitido se sentir alegre em um mundo com tantas desigualdades?

Atualizado: Set 19

Recentemente ouvi um depoimento de uma mãe que passava por sua primeira experiência com a maternidade, mas que não queria demonstrar sua felicidade para não “pegar mal”. Outra pessoa foi chamada de alienada porque postou em suas redes sociais que havia realizado um sonho antigo. Começaram a apontar o dedo, dizendo para que ela parasse de “romantizar a vida”.

Sei que com o mundo do jeito que está é esquisito mesmo sentir alegria. Pandemia, racismo, tensões políticas, desigualdades sociais. Mas, o mundo não é só horrível ou só bom. Ele é as duas coisas ao mesmo tempo. Todos nós temos o direito de se sentir feliz sem se sentir culpado.

Um dos movimentos mais importantes da internet nos últimos tempos foi a exposição das nossas vulnerabilidades. A gente precisou dele para descobrir que não estamos sozinhos, que do outro lado da tela tem pessoas que também sentem medo, tem dúvidas, ansiedades, solidão, sofrem de amor, doenças, passam por apertos financeiros.

Ainda que na maior parte do tempo o recorte das redes sociais sejam os momentos felizes, percebo que a mobilização em direção a uma vida menos “gratiluz” ganha força. O discurso da “co-criação”, da “expansão da consciência” ou até mesmo da meritocracia, está fragilizado frente a uma sociedade que se transforma e com tantas realidades distintas.

Em um momento em que muitos de nós luta para sobreviver parece leviano pensar em prazer e felicidade. Mas, eu proponho repensar. Apesar de todos os desafios, a gente precisa resgatar a delícia que é viver também. Saber que o mundo pode ser bom nos dá sustentação.

Compartilhar as nossas conquistas e o que gostamos de fazer não é romantizar a vida. Mostrar alegria, apesar de toda a dor, não é ser alienado, tampouco que não temos os nossos desafios diários. O mundo digital é mestre em apontar o dedo e impulsionar esse pensamento binário de que ou é uma coisa ou é outra. Mas a vida minha gente, ela é muito mais complexa.

E mesmo quando o mundo parece estar de cabeça pra baixo ou desmoronando, se você tiver um momento de felicidade, pode compartilhar comigo. Eu vou adorar saber!


Conheça a autora

Camila Garcia

Jornalista, mestre em Jornalismo e especialista em Comunicação Integrada e Marketing. Assessora de comunicação no Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP) e professora no Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidades (FMU).

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