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A velha da casa velha

Poesia de Otail Santos de Oliveira


Parede rachada

telhado escuro

pó na calçada

caído do muro

Parede amarelada

sem tinta ou repasse

janela abraçada

no dia que nasce

O que vejo de repente?

duvido! aquilo é fato?

- uma velha no telhado

correndo atrás do gato?

A vizinha além do muro

espia de lá (alcoviteira)!

o pega-pega esquentado

da velha na cumeeira

Se a vizinha me contasse

eu diria: "ah isso é intriga!"

Mas eu vejo a velha e o gato

Quem irá ganhar a briga?

E rodopia a anciã

e funga, e resmunga, e vai


até que enrosca a perna

balança, equilibra e cai

Então a alegria atoa

gargalha num riso só

tudo brinca no quintal:

- o muro, a casa, o pó!...

Há peças no cotidiano

teatro sem texto ensaiado

equilibristas de circo

no palco de um telhado!


Pouso Alegre (MG) - 06 de março de 1976.


Conheça o autor

Otail Santos de Oliveira, bacharel em Direito pela Faculdade de Direito do Sul de Minas, Mineiro Pão de Queijo Raiz, de Pouso Alegre; Militante Ambiental e Ecologista, entre 1999 e 2010 membro fundador do GVIBRA – Grupo Ecológico Via Brasil; Voluntário e Evangelizador no Grupo de Fraternidade Espírita Irmão Alexandre entre 1998 e 2016; Com a Poesia, diversos prêmios em festivais em Minas e outros estados, sendo que alguns deles em Pouso Alegre (FEPE e FESPROVE). Chegada no Planeta 30/07/1961, sem data para partida.


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