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A vida e o legado de Luiz Gama


Por: Elen de Souza


Imagem de Luiz Gama em 1880

Vítima do apagamento histórico por mais de um século, aos poucos, o importante papel de Luiz Gonzaga Pinto da Gama vem sendo resgatado. Ele foi um dos mais importantes líderes do movimento contra escravidão, além de jornalista e poeta. É o patrono da cadeira n.º 15 da Academia Paulista de Letras.


Nasceu na Bahia em 1830, Filho de Luiza Mahin, uma escrava livre e de um fidalgo português. Aos 10 anos Luiz Gama teve que ser deixado aos cuidados do pai, pois a mãe teria participado da revolta do Malês - conhecida como a maior revolta de escravos contra a escravidão - e como consequência teve que fugir para o Rio de Janeiro sem ter a possibilidade de levar o filho.


Para pagar dívidas de jogo, o pai, cujo Luiz Gama jamais revelou o nome, vendeu o próprio filho para um negociante, que o levou para sua fazenda no município de Limeira, em São Paulo.


Aos 17 anos conheceu o estudante Antônio Rodrigues que o ensinou a ler e escrever. Isso seria um grande e importante passo para o seu futuro. Luiz sabia que sua situação como escravo era ilegal, uma vez que sua mãe era livre. Então, em 1848, com 18 anos, fugiu para a cidade de São Paulo e conquistou a alforria na justiça. Nesse mesmo ano, alistou-se na Força Pública da Província, a qual seria expulso em 1854 após uma insubordinação que além da expulsão lhe rendeu 39 dias na prisão.


Casou-se em 1850 com Claudina Gama, com quem teve um filho. Ainda em 1850, ele tentou ingressar no curso de Direito do Largo de São Francisco, mas a faculdade recusou sua inscrição porque era negro. Apesar de ser hostilizado pelos professores e alunos ele assistia as aulas como ouvinte.


Autodidata, mesmo sem ter se formado em Direito, adquiriu conhecimentos que lhe permitiu atuar na defesa jurídica dos escravos, exercendo a profissão de “rábula” - nome dado aos advogados sem título acadêmico, por meio de uma licença especial, o provisionamento. Além disso, em 1856 tornou-se escriturário da Secretaria de Polícia da Província de São Paulo.


Busto de Luiz Gama, Largo do Arouche, São Paulo. Obra de Yolando Mallozzi, produzida em 1931.

Somente em 2015, a Ordem dos Advogados do Brasil o reconheceu como advogado, corrigindo assim a grande injustiça histórica cometida ao recusar sua inscrição. Em 2017 uma das salas da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco recebeu o seu nome.


Luiz Gama é considerado um dos maiores lideres do movimentos contra a escravidão, e entre grandes feitos na sua trajetória, em 1872 ganhou uma ação no Supremo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, última instância do Poder Judiciário no tempo do Brasil Imperial. A vitória no tribunal ocasionou a liberdade de 217 escravos.


Colaborou como jornalista em diversos jornais, como: Cabrião, Correio Paulistano, A Província de São Paulo,Radical Paulistano, A Gazeta da Corte, onde atuou junto com outros abolicionistas negros como Ferreira de Menezes, André Rebouças e José do Patrocínio. Em 1864, junto com o ilustrador Ângelo Agostini, fundou o jornal Diabo Coxo, que se destacou por utilizar caricaturas que ilustravam as reportagens dos fatos cotidianos. Projetou-se na literatura através de seus poemas, os quais satirizava a aristocracia e os poderosos de seu tempo. Muitas vezes ele se ocultava sob o pseudônimo de Afro, Getulino e Barrabás. .

Luiz Gama faleceu em São Paulo, no dia 24 de agosto de 1882, aos 52 anos, por complicações da diabetes.

Em 2021 sua história, sua história ganhou vida no cinema, com o lançamento do filme Doutor Gama, que conta a história do personagem desde a infância até sua consagração como advogado abolicionista, que segundo pesquisas recentes, libertou mais de 700 escravos


Fonte: Biblioteca Nacional, DW e BBC Brasil




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