• Agência Towanda

Comer, é um ato político

Afinal, comer é ou não um “ato político”? Para estruturar melhor o nosso pensamento, precisamos entender o que significa “ato político”.

Neste contexto, grosseira e resumidamente falando, são decisões que trazem consequências e impactos para a sociedade, sendo por parte de um agente público ou da população ao expressar suas necessidades, em forma de protesto social.


Comer como um ato político, envolve o poder de escolha, ou melhor dizendo, o privilégio de poder realizar escolhas alimentares. Escolhas estas, que colaboram para um menor impacto ambiental e na saúde como um todo, pois, a comida vai muito além do que está no nosso prato. O ato de se alimentar, pode ser uma ferramenta de mudanças... mudanças na escolha de um candidato que seja comprometido e defenda o Direito Humano à Alimentação Adequada, mudanças de hábitos e escolhas diárias, escolha de um alimento sem “veneno”, que seja produzido em sistemas familiares orgânicos, mais aproveitamento integral e menos desperdício de alimentos, o famoso descascar mais e desembalar menos, sabe? que nos ajuda também na diminuição da geração de lixo, mas tudo isso, causando um impacto ou mudança. Isso é alimentação como um ato político, porém, não adianta falar em tudo isso, para quem não tem o que comer, para quem não tem privilégio de escolha, em um cenário onde a competição desonesta entre o nutrir e o lucrar tem impactos devastadores.

Quando falo em competição, me refiro às propagandas apelativas em larga escala, isenções fiscais/taxas mais baixas para produtos ultraprocessados e agrotóxicos, interferências em políticas públicas, produção de embalagens não sustentáveis e lixo em demasia... sendo estas colocações em resumo, somente a ponta o “iceberg”.

A produção de alimentos é um negócio lucrativo que não se preocupa com as desigualdades sociais. O acesso à uma alimentação saudável para todos implica, estruturalmente, em atitude política e mudança de comportamento da sociedade, mas, ouso em dizer, que a mudança está em parte, em nossas mãos, ou melhor, em nossos pratos, vamos aproveitar do nosso privilégio, para fazer do comer como um ato político e não “moda”, vejo mais como luz no fim do túnel, no Brasil o comer sendo ato político é seletivo e precisa ser tratado e abordado com mais cautela.

Temos um longo caminho pela frente. Vejo uma grande reflexão e mudança de comportamento, que são geradas através de informação, dados e ciência. Há esperança.




Conheça a autora

Letícia Ramos


Paulista, nutricionista com especialização em Vigilância Sanitária de Alimentos e Gestão de Pessoas. Trabalha a 3 anos no Programa Bom Prato do Estado de São Paulo, onde, a área de atuação engloba também, segurança alimentar. Estudante de Perícia Judicial de alimentos e cadastrada como Perita Judicial no TJ-SP.

0 comentário