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Dialeto do Coração

Atualizado: há 4 dias

Varrer o quintal todos os dias pela manhã é um caminho sem volta.

Há vezes que são as jabuticabas.


Têm de ser recolhidas uma a uma do solo, porque a gente pisa nelas, e a sua docidão atrai insetos que atacam os cães, como o Clarêncio é alérgico procuramos evitar isso o máximo possível.


Há outras ocasiões que são as acerolas.


Vermelhinhas se espalham pelo chão e também necessitam ser removidas.

Nem umas, nem outras devem ser recolhidas por inteiro. Os pássaros que visitam as cercanias da vivenda – curiosamente – não colhem os frutos do pé. Em sua maioria prefere colhê-los no rés do chão.


Já as folhas em geral estão sempre presentes exigindo varredura constante.

Com o velho abacateiro não foi diferente. Passei longo tempo recolhendo-lhe as folhas sem notar, sem me dar conta...


Naquele dia – como faço vezeiramente – passei o café no pano, fervi o leite, aqueci os pães, arrumei a mesa nos fundos da casa, e acordei a companheira para a compartilha do café da manhã.


E enquanto esperava ali sentado, fruindo a beleza do dia e a paz da claridade do sol, ergui os olhos em direção ao sábio abacateiro, e então, somente então, percebi que ele estava inteiramente renovado dizendo no grande silêncio no dialeto do coração: “renova-te também”.


Conheça o autor

Antonio Carlos Tarquínio é Mestre e Doutor em Philosophía pela PUC -SP.

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