• Agência Towanda

Mais de 60% dos jovens brasileiros não sabem diferenciar fato de opinião

Atualizado: Jul 20

Um estudo recente divulgado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com base nos resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), revelou que 67% dos jovens brasileiros de 15 anos não sabem distinguir fatos de opiniões. O exame é aplicado a cada três anos em diversos países.


A avaliação fez um comparativo entre sistemas educacionais nas áreas de leitura, matemática e ciências, medindo as habilidades que os alunos dessa faixa etária desenvolveram durante a escolaridade obrigatória. No caso da distinção entre o que é uma notícia factual e o que é texto opinativo, a medição foi dada por meio de questões que exigiam o domínio dessa prática. O percentual mostrou que o despreparo dos alunos brasileiros supera a média de todos os países da OCDE, que ficou em 53%.


A notícia provocou um intenso debate nas redes sociais e análises em colunas e textos jornalísticos. Contudo, não são apenas os jovens que não conseguem diferenciar fatos de opiniões hoje em dia. Muitos adultos também não aprenderam a desenvolver este olhar crítico diante dos textos jornalísticos. Quase ninguém foi preparado para lidar com a avalanche de infodemia, termo cunhado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para classificar o excesso de informação de todos os tipos que temos atualmente.


Apenas ler o que chega às nossas mãos e telas deixou de ser suficiente faz tempo. É preciso fazer uma leitura tridimensional das informações, desde interpretar a intenção do veículo de mídia, até analisar a autoria e o contexto de cada mensagem. Diante de um cenário de defasagem educacional que perdura em nosso País por séculos, o resultado não poderia ser diferente.


Como segundo ponto de atenção desta pesquisa: é preciso descontruir a ideia de que o “nativo digital”, conceito utilizado para definir crianças e jovens que cresceram em meio às novas tecnologias digitais, já nasce sabendo participar de forma responsável e ética do mundo on-line. Eles dominam as ferramentas, sabem manusear celulares e computadores, mas estão longe de utilizar tais dispositivos de forma cidadã e responsável.


Há inúmeras pesquisas e estudos que comprovam esses fatos. E se entre os jovens o letramento digital é baixo, imagina para aqueles que cresceram em um mundo completamente desconectado?


Educar para a informação é urgente. Só assim construiremos uma sociedade mais autônoma, participativa e democrática.


Conheça a autora


Camila Garcia


Jornalista, mestre e pesquisadora em Jornalismo (Linguagens Jornalísticas e Tecnologias), pós-graduada em Comunicação Integrada e Marketing. Atualmente é assessora de comunicação no Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP).

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