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O legado histórico de Thomas Sankara

Atualizado: Mai 28

Por: Elen de Souza


Quase 33 anos após o seu assassinato, o visionário Thomas Sankara, conhecido como o “Che Guevara africano”, continua sendo inspiração até os dias de hoje. Ele é lembrado não somente por ser um defensor de seu povo, mas também por sua contribuição em favor de uma sociedade mais justa.

Thomas Sankara

Considerado uma figura de relevância política na África, o capitão Thomas Sankara esteve à frente de uma revolução em Burkina Faso em 1983. Ele liderou um golpe de Estado com apoio popular, para romper o domínio que a França exercia no país. Ele lutava contra o neocolonialismo e buscava o desenvolvimento social e econômico do país. Após esse ocorrido,se tornou presidente de Burkina Faso.


Com apenas 34 anos, o então presidente tinha como base de seu governo políticas voltadas para a autossuficiência alimentar, erradicação da corrupção, educação de qualidade e mais acesso aos serviços de saúde. Além das preocupações com as questões ambientais e rendeu atenção cuidadosa aos direitos da mulher.


Durante seu governo houve um aumento no número de mulheres que assumiram cargos governamentais. O ritual de mutilação genital feminino realizado em algumas tribos foi proibido, assim como a poligamia e os casamentos forçados.


Em um discurso realizado em 2 de outubro de 1987 em Tenkodogo, Sankara sintetizou o seu sonho revolucionário:


Nossa revolução só terá valor se, olhando para trás, para os lados e diante de nós, pudermos dizer que os burquinenses são, graças a ela, um pouco mais felizes. Porque eles têm água boa para beber, alimentação suficiente, uma saúde excelente, educação, casas decentes, estão mais bem-vestidos, têm direito ao lazer, oportunidade de gozar de mais liberdade, mais democracia, mais dignidade. […] A revolução é a felicidade. Sem a felicidade não podemos falar de sucesso

Thomas Sankara e Fidel Castro

Em um país com cerca de 8 milhões de pessoas onde a grande maioria vivia na pobreza, o jovem presidente idealista levou esperança ao seu povo. Implementou uma reforma agrária para combater a fome e promoveu uma grande campanha nacional de alfabetização para estimular que todos tivessem acesso à educação. Seu intuito sempre foi praticar ações que pudessem ofertar ao povo uma melhor qualidade de vida.

Moussbila Sankara, quando era embaixador do Burkina Faso na Líbia, certa vez disse sobre o presidente:


"Era entendido pelas pessoas mais pobres, por aqueles que precisavam de justiça e consideração. Por aqueles que, apesar de serem pobres, tinham personalidade, aqueles que se orgulhavam de pertencer à sua comunidade ou à sua nação.”

O che guevara africano defendia não somente a transformação social em Burkina Faso ou no continente africano, mas seus ideais se estendiam a toda a humanidade.


“Falo não apenas em nome da minha amada Burkina, mas também em nome de todos aqueles que estão sofrendo em algum lugar (...) “


Infelizmente em 15 de outubro de 1987, o capitão Thomas Sankara e 12 dos seus companheiros foram mortos num golpe de Estado que colocou no poder Blaise Compaoré. Em 31 de outubro de 2014 após uma revolta popular, Compaoré foi destituído do poder.


Apesar de ter se passado quase 33 anos de sua morte, o capitão Thomas Sankara continua a ser uma referência para seu povo. As sementes plantadas por este líder carismático ainda germinam na memória dos burquinenses e nos corações dos africanos.


Fontes de pesquisa:


https://www.thomassankara.net/

https://www.dw.com

https://exame.abril.com.br/mundo/sankara-o-che-africano-que-inspirou-revolucao-na-burkina/


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