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O que podemos aprender com o filme "O Dilema das Redes"

“O Dilema das Redes”, filme documental disponível na Netflix, dá voz a diversos executivos, programadores e ex-funcionários de algumas das gigantes de tecnologia do mundo, como Google, Facebook e Twitter, trazendo a público detalhes sobre seus modelos de negócios.

Na verdade, trata-se de uma releitura moderna de modelos antigos, como a TV aberta: você não paga para consumir, mas as emissoras criam conteúdos para atrair sua atenção e vendem parte dela para um anunciante. Com as redes sociais acontece a mesma coisa.


Neste ponto, entra em cena os algoritmos: como é impossível você ver tudo que está disponível na internet, a inteligência artificial identifica o que você quer através dos artigos que você lê, curtidas e páginas que você segue. Com isso, você fica mais tempo conectado nas redes, e eles tem cada vez mais domínio sobre o que você deseja consumir.


A meu ver, o ponto que merece nossa maior atenção é com os efeitos colaterais das redes, os quais estamos começando a perceber agora. Uma delas é a criação de bolhas, quando optamos por excluir pessoas por diferenças políticas e ideológicas. Quem faz isso, se exclui de pensamentos diferentes e sua rede só afirma ainda mais suas convicções. As redes também possibilitam a rápida propagação de fake news, uma verdadeira ameaça a democracia e a sociedade.


Outro efeito colateral é o vício. Cada curtida, novo amigo, seguidor ou notificação que você recebe é uma injeção de dopamina no seu cérebro. Isto acontece pois somos seres sociais e ao sermos “aceitos socialmente”, recebemos uma recompensa, que é este estímulo de dopamina, semelhante ao que acontece com os usuários de drogas. O documentário, inclusive, compartilha outra frase interessante: “Os únicos mercados que chamam seus clientes de ‘usuários’ são os das redes sociais e das drogas ilícitas”.


Vale ver o documentário e refletir. Para mim, o problema não está na ferramenta, mas na forma e intenção da pessoa que utiliza. Alguns usam as tecnologias de forma saudável e para criar conexões, outros para disseminar ódio e notícias falsas. Imagine a internet nas mãos de Hitler e nas mãos de Gandhi. Percebe a diferença?


Conheça a autora

Camila Garcia


Jornalista, mestre e pesquisadora em Jornalismo (Linguagens Jornalísticas e Tecnologias), pós-graduada em Comunicação Integrada e Marketing. Atualmente é assessora de comunicação no Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP).

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