• Agência Towanda

Procuremos a vida

Não é de todo impossível impedir que o sol e a chuva nos visitem a epiderme. Basta não sair de casa, ou criar outro artifício qualquer capaz de mantê-los sem nos tocar.

O caso é que sair de casa e caminhar sob a luz do sol, mormente por entre as manhãs, nos renova imensamente a alma. Diga-se de passagem, que molhar-se na chuva, de vez em quando, até pode não fazer bem, mas por outro lado, não dá para negar que a coisa é uma delícia.

Se você nunca experimentou isso quando criança, voltando da escola e andando contra a enxurrada que descia veloz a rua, te aconselho a tentar um dia desses qualquer – a sensação de liberdade e realização é incrível.

Penso que algo muito parecido ocorra com as pessoas que buscando evitar motivos de inquietação, optam por viver enclausuradas, crendo com isso, haver encontrado remédio para as suas aflições.

O expediente é semelhante àquele que pretende evitar a morte evitando a vida.

Pessoas assim não demoram a sentir-se agoniadas sem motivo aparente, ou afligidas por inquietações vazias e atormentadas por doenças imaginárias no claustro em que se colocaram.

À vista disso – procuremos a vida, aceitando as adversidades e vicissitudes que nos cercam os passos, buscando aproveitar os ensinamentos de que são portadoras – tal qual aquele menino que em vez de se esquivar da chuva, escolheu acolhê-la em si na própria epiderme, entregando-se e integrando-se a ela, abrindo-se assim ao desvelamento de novos sentidos na arte de viver.


Conheça o autor

Antonio Carlos Tarquínio é Mestre e Doutor em Philosophía pela PUC -SP.

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