• Agência Towanda

Racismo estrutural

Por: Antônio Carlos Tarquínio


Foto arquivo pessoal - Peter e o filho Anthony

Convocado à leitura de uma matéria em revista eletrônica, cujo assunto envolvia aspectos da biografia de um jovem negro de nome Peter, nascido em Uganda, e atualmente radicado nos Estados Unidos, que adotara um menino branco, surpreendi-me - na medida que passava os olhos sobre o texto - com uma falsa expectativa diante da história do ugandês, confrontado com o relato mais belo de que tenho conhecimento nestes tempos de angústias e dores. Meu falso aguardo revelou-se a mim puro pré-conceito.

Silvio Almeida abriu-nos a mente e o coração para o racismo estrutural.

O racismo estrutural entre outras coisas é um tipo de mentalidade cuja maior implicação está na visão de mundo, tão equivocada, quão obtusa e canhestra, porquanto ignora os fatos – a realidade a sua volta – criando um clima de ódio, de violência e desrespeito à dignidade da pessoa humana - de todos os entes humanos que afirmam sua vontade de ser o que são.

Muita vez o preconceito está em nosso olhar, em nosso dizer e contar como a vida acontece em redor de nós, sem que percebamos – sem que disso tenhamos consciência…

Exatamente por isso a mudança desse status quo tem de acontecer em cada um – porque é um processo que envolve o despertamento de si – consciencialização através de autoexame para ver – ver e aceitar – em nós próprios o tamanho de nossa ignorância em relação a todas as pessoas diferentes de nós.




Conheça a história de Peter e Anthony


Por: Elen de Souza


Histórias de adoção inter-racial são frequentemente protagonizadas por pais brancos que adotam crianças não-brancas. Segundo dados divulgados pela BBC referente a uma pesquisa realizada em 2016,a mais recente sobre o tema, apenas 1% das famílias negras adotaram crianças brancas e 92% adotaram crianças negras.

Foto arquivo pessoal

Nos Estados Unidos, a história de Peter Mutabazi ganhou atenção da mídia por trazer à tona a seguinte discussão: O que acontece quando pais negros adotam crianças brancas?

Peter é voluntário de uma ONG que acolhe crianças que precisam de um lar temporário até poderem retornar para suas famílias biológicas ou serem direcionados para orfanatos à espera de adoção. O trabalho social voltado às crianças em situação vulnerável tem relação com sua infância.

Quando era criança em Uganda, aos dez anos de idade ele fugiu de casa para se afastar de um lar repleto de violência. Morou nas ruas durante um tempo até fazer amizade com um homem chamado Jacques Masiko, que sempre ofertava comida a ele. Desta amizade surgiu uma proposta para que Peter voltasse aos estudos e futuramente Masiko o levou para morar com sua família, foi quando Peter pôde descobrir o verdadeiro significado do que era um lar.

Anos mais tarde, Peter ganhou uma bolsa de estudos em uma universidade americana e foi na terra do Tio Sam, que ele se reconectou com seu passado mas com propósito de ajudar crianças que estavam passando por situações que ele mesmo já havia sentido na pele.

Foto arquivo pessoal - Peter e sr. Masiko

“Assim como o sr. Masiko me deu uma chance, eu queria fazer isso por outras crianças”

Porém, quando Anthony, na época com 11 anos chegou na casa de Peter, a conexão entre eles foi instantânea no mesmo dia veio o pedido “Posso te chamar de pai”?. Naquele final de semana os dois conversaram, se divertiram, foram ao Shopping e o afeto entre eles foi só aumentando. O que era para ser temporário, se tornou permanente.

Pai e filho já passaram por muitas situações delicadas devido a questões raciais, a que Anthony tem pele clara e cabelos castanhos. Olhares de reprovação, suspeita e até denúncias.

Mas eles tiram isso de letra e seguem quebrando tabus. Atualmente ele utiliza as redes sociais para registrar o cotidiano com o filho, assim como seu trabalho na ONG Visão Mundial.


Fonte de pesquisa: BBC


Conheça os autores

Antonio Carlos Tarquínio é Mestre e Doutor em Philosophía pela PUC -SP.














Elen de Souza é jornalista, pós graduada em Marketing e Negócios pela Faculdade Impacta e pós graduanda em Projeto Social pela FMU.

Todos os direitos reservados para Towanda. 

  • Ícone preto do Instagram