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Séries de TV: os filmes que não acabam nunca 😅


Tenho uma certa dificuldade em acompanhar séries de TV. Comecei estes devaneios após um diálogo interessante com a minha mãe.


Estou de passagem pela sala e encontro-a com ar compenetrado assistindo um filme na Netflix – tinha assinado o streaming a pouco tempo e está com aquela alegria obstinada de quem quer fazer valer o dinheiro investido e vendo uma produção atrás da outra.

Sento-me na escada localizada na lateral do sofá do qual ela está deitada e pergunto:

“Qual é o nome desse filme, mãe?”

Ela responde lacônica:

“Anne com E.”

Beleza! Agora ela prendeu a minha atenção e vou ter que ir além. Pois eu não resisto tentação de questionar um monossilábico; quero saber mais. Além disso, adoro uma indicação de filme, porque morro de preguiça de eleger um naquela linha do tempo infinita da Netflix – na verdade, linhas do tempo me enfadam de um jeito… mas isso é assunto para outro post.

Continuo: “E do que se trata?”

Ela responde: “É sobre uma menina que é adotada por um casal de irmãos por engano e vive nessa família… é legal a história, tô gostando.”

“Hum…”, respondo. E decido ficar ali um pouco e ver o tal filme. Depois de uns minutos de diálogos, percebi que se tratava de uma série e não de um longa. Mas não digo nada na hora, só fico ali acompanhando. Minhã mãe, como sentindo que algo de errado não estava certo, desabafa:

“Nossa! Não tenho paciência para ver esses filmes que não acabam nunca!”

Eu replico: “Mãe, mas isso não é filme, é série!”

E ela, surpresa, responde:

“Ah, tá explicado! Por isso tô o dia todo assistindo isso e esperando o final que não vem!”


Ah, tá explicado!


Depois desse episódio me identifiquei em partes com o pensamento da minha mãe. Ela traduziu uma certa angústia que sinto ao ver uma série de TV nos dias atuais. É um filme que não acaba nunca.


Pensando bem, gosto de séries, não tenho nada contra elas. O contra no qual eu me refiro, não é o fato da história se prolongar até quando seus produtores quiserem, mas sim da velocidade da liberação dos episódios.

Isso faz os episódios acabarem, mas você precisa investir horas e horas na frente da telinha.


E é aí que mora o desafio… Será isso algum tipo de ansiedade em querer saber do final sem acompanhar a jornada? Ou mesmo, uma ânsia meio infantil por novidades sem fim?Não sei. Hoje acompanho algumas séries de TV, mas sempre com aquela sensação de estar vegetando na frente de um smartphone acompanhando algo por horas a fio e não fazendo nada de útil, além de ficar lá vendo 24 horas passarem em minutos.


As séries de TV têm uma mágica envolvente que nos prendem na frente da tela com os olhos vidrados e viciados em ver “só mais um”. Para assistir sem remorso, tenho que estar fazendo alguma coisa que eu acho tedioso, como escovar o cabelo. O malabarismo de fazer cabelos e ver a série é tão grande que perco algumas falas, imagens, mas sigo em frente, o importante é o contexto.


Dessa forma, parece que estou ocupando meu tempo de forma produtiva. Como uma workaholic per se – para algumas coisas! -, me permitir ficar ali à toa é um tanto desafiador para mim. O mundão do streaming é veloz. Somos bombardeados por informações de séries novas a todo o momento.

Tento acompanhar as novidades, mas vejo só aquilo que eu acho interessante. Hoje, isso se limita a poucas séries que eu assisto uns dois episódios por semana – e olhe lá.


Antes do streaming


Como era gostosa a expectativa de esperar um episódio sair, de ver o protagonista uma vez por semana na TV, em um certo horário. A minha primeira lembrança de assistir e acompanhar séries foi com Prison Break.


Estava com 16 anos, por aí. Esperava um dia especifico para ver aquele episódio na Rede Globo e era uma experiência incrível, mas eu já dava sinais que não tinha paciência de acompanhar a jornada do herói até o final.


Explico: na terceira temporada, a série já deu aquela “caída” na qualidade da história e vi até o último episódio muito en passant – pulando diversos deles, um comportamento que me acompanha até hoje.


Ventos da mudança


Ultimamente, tenho feito algumas coisas diferentes. Inclusive, permito-me ficar de boa, sem ter nada para fazer. Penso que as séries de TV são uma boa alternativa para ocupar o tempo, no entanto, tento acompanha-las com parcimônia, degustando o que cada uma tem a oferecer sem a pressa que as redes nos impõem.


Dessa forma, acredito ser uma experiência saudável praticar um certo nadismo na frente do celular. E isso é bom, até. É viver o presente. O subtítulo do blog explica bem esse sentimento: permita-se.


Assistir filmes que nunca terminam é uma oportunidade de desfrutar da jornada de uma boa história e, quiçá, aprender algo que podemos levar para a nossa vida. O final de uma produção é o futuro que não nos pertence. Viver o hoje com uma série de TV é o poder de curtir o agora. Bora lá!


Observação: Para quem ficou curioso, atualmente assisto Lucifer, Sense 8, Black Mirror, 3%, The Office e The Walking Dead.


Conheça a autora


Leticia Lopes é jornalista (MTB 80769/SP) e cursa especialização em Comunicação Institucional nas Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU). Começou sua carreira como repórter em jornais locais e atualmente trabalha como social media para a TV Mundo Maior e a Rede Boa Nova de Rádio, emissoras de comunicação da Feal (Fundação Espírita André Luiz).


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